AnteriorSeguinte

Sala de aula

Dificuldades de aprendizagem

NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO

Esta ciência dá um forte contributo para o estudo, avaliação e intervenção no campo das dificuldades de aprendizagem decorrentes de alterações neuronais

A aprendizagem resulta da conexão de várias áreas do sistema nervoso central. Quando tudo funciona em harmonia, essa aprendizagem acontece de forma adequada, mas quando algo corre mal ou há uma imaturidade do próprio sistema nervoso podem desenvolver-se dificuldades ou mesmo um conjunto de perturbações, a maioria conhecidas dos professores. É o caso da hiperatividade com défice de atenção, da dislexia, da discalculia. “Uma coisa é haver algumas dificuldades na leitura e na escrita ou a criança ser mais irrequieta e distraída – umas aprendem a ler mais rapidamente do que outras, umas são mais bem-comportadas e outras menos –, outra, completamente diferente, é haver alterações do neurodesenvolvimento associadas a uma patologia relacionada com a leitura e a escrita ou alterações neuroquímicas do sistema nervoso central causadoras de uma hiperatividade com défice de atenção”, especifica Octávio Moura, psicólogo clínico e da saúde, especialista em neuropsicologia, investigador, docente universitário e no Instituto CRIAP. E acrescenta: “As áreas do sistema nervoso central que processam a leitura, a escrita ou o comportamento não funcionam com o mesmo nível de exatidão e precisão em todas as crianças, e as neurociências têm um papel importante no campo da aprendizagem, justamente para percebermos qual é a curva normal do desenvolvimento ou se existe alguma patologia.”

Professores: bons referenciadores

Existe um conjunto de sinais evidentes logo a partir do pré-escolar, como dificuldades em memorizar determinado tipo de informações verbais, em fazer um conjunto de rimas, em identificar sons. Depois, quando estas crianças entram no período escolar, revelam, por exemplo, uma dislexia, não acompanhando as restantes, que aprendem rapidamente a ler e a escrever (fluência e velocidade), a descodificar, a memorizar os grafemas e os respetivos fonemas e a fazer conexões entre eles para conseguirem ler.

Perante um quadro de problemas de aprendizagem, os professores – sobretudo os dos 1.o e 2.o ciclos – “deveriam ser os principais referenciadores, pois são eles que estão diariamente com as crianças em contexto educativo, logo, apercebem-se mais facilmente das dificuldades, sugerindo aos pais o aprofundamento da situação através de uma avaliação especializada da mesma, para ver se é necessária uma intervenção específica”, remata aquele especialista.

Alterações neurodesenvolvimentais estão associadas a dificuldades de aprendizagem, como a dislexia